|
A Federação Nacional foi criada em 1967 pelo Frei Leto e Pe José Maria Wiesniesvsky. Sediada em Petrópolis/RJ, atualmente possui 16 coros federados, oriundos dos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Realiza a cada 3 anos seu congresso nacional e dois congressos regionais entre os nacionais, alternados entre região centro (SP, RJ e MG) e região sul (PR, SC e RS).
A atual diretoria, para o triênio 2007-2010, foi eleita em assembléia no dia 29 de Julho de 2007 e é composta por:
Presidente : Fernando Benedito Vieira
e-mail: von.ah@uol.com.br
Vice-presidentes: Marco Aurélio Lischt (região Centro)
e-mail: marco.lischt@bomjesus.br
Paulo Sezerino (região Sul)
e-mail: imcarti@bol.com.br / psezerino@bol.com.br
Secretário: Messias Faleiros
e-mail: cantorescassia@yahoo.com.br
Tesoureiro: Theodolino Jose de Souza
e-mail: mcantorescampolargo@gmail.com
Representante Eclesiástico: Dom Gil Antônio Moreira
e-mail: contato@arquidiocesejuizdefora.org.br
1. Origem dos coros
A tendência natural do homem leva-o a reunir-se para festas, comemorações e assembléias que deliberam assuntos de interesse comum: desde a mais remota antigüidade os grupos se reúnem para celebrar festas de casamento e o nascimento de um novo ser; para festejar a pátria e seus heróis, e para adorar a divindade; reúnem-se também para celebrar funerais. Em todas essas festas e comemorações os humanos se exprimem através do canto e da música, que brota espontânea do espírito do homem. O canto pode exprimir os mais variados sentimentos, dependendo do momento que se está vivendo. Ele é uma das expressões mais espontâneas do espírito humano.
Com o agrupamento de pessoas cantando juntas, aparece espontaneamente o coro, cuja natureza é a de se falar ou cantar em grupo um mesmo texto ou uma mesma melodia de forma ordenada. Na tragédia grega o "coro" cantava e dançava. Tinha a missão de exprimir o sentimento que se vivia no drama.
No povo judeu, a música e o canto tinham uma função importantíssima nas celebrações do templo e na vida de oração do povo que se reunia para adorar e celebrar Javé. O livro dos salmos e os cânticos da Bíblia são claro testemunho desta realidade. São Paulo recomenda aos primeiros cristãos: "Cantai a Deus com salmos, hinos e cânticos espirituais." Assim, a Igreja foi herdeira do canto dos Judeus. Com a expansão do cristianismo, seu canto recebeu influências da música grega e da cultura romana.
Com a decadência do Império Romano e a conseqüente degradação da cultura popular, os mosteiros beneditinos se tornaram o centro de irradiação da cultura e do cultivo do canto sacro. Uma das principais atividades era cantar o louvor de Deus.
Desde o início, a Igreja sempre teve grande predileção pelo canto das crianças, e procurou incentivá-lo na liturgia. Baseava-se a Igreja nas palavras do Salmo nº 8, que diz: "É da boca dos mais pequeninos que recebeste o mais perfeito louvor".
Além disso, havia a palavra de Jesus que disse: "Deixai vir a mim os pequeninos, porque deles é o Reino dos Céus". Junto da maioria dos mosteiros havia uma escola – muitas vezes a única da região – e nela ensinava-se as crianças a cantar. Aos poucos formaram-se coros de meninos, que se revezavam com os monges no canto do ordinário da missa.
Consta que o Papa São Dâmaso teria sido o primeiro a instituir oficialmente um coro de meninos cantores por volta de 383. Mas quem sistematizou a prática do canto coral para meninos e para clérigos, foi o Papa São Gregório Magno, que governou a Igreja de 590 a 604. Conta-se que ele fundou em Roma a famosa "Schola Cantorum", que produziu renomados mestres cantores, que levaram o Canto oficial da Igreja a países distantes. Os mosteiros de Metz e de Saint Gallen, de antiqüíssima tradição de canto litúrgico, teriam tido como primeiros mestres alunos provenientes da Schola Cantorum iniciada por São Gregório Magno. A partir dali, divulgou-se o costume de todas as catedrais e basílicas, na medida do possível organizarem e manterem seu próprio coro de Pueri Cantores, cuja finalidade sempre foi e continua sendo a de cantar a Glória de Deus na Sagrada Liturgia. A formação de coros de meninos era facilitada pelas escolas que floresciam ao lado dos mosteiros. A tradição de formar e manter coros de meninos cantores manteve-se durante todos estes séculos, até aos dias de hoje. Há coros, como o de Regensburg, que contam com mais de 1000 anos de tradição.
2. Surgimento das federações
Nos tempos mais recentes, foi dado um grande incentivo a este movimento dos Pueri Cantores. O iniciador das federações nacionais e da Federação Internacional de Meninos Cantores foi Monseigneur MAILLET, diretor e regente dos Pequenos Cantores da Cruz de Madeira em Paris. Seu trabalho sério e de alto nível obteve grande reconhecimento e prestígio na Igreja e na sociedade. Assim o movimento se expandiu, inicialmente na cidade de Paris, e depois por toda a França e nos demais países da Europa. O apreço e o pronunciamento de vários papas e o apoio de numerosos bispos foram decisivos para a expansão dos coros de Meninos Cantores. Deste fato resultou que Mons. Maillet resolvesse criar uma Federação Francesa de Coros de Meninos Cantores, com o objetivo de unir e integrar os vários coros que exerciam dentro da Igreja as mesmas funções. Com a realização periódica de congressos e de assembléias dos regentes, foi possível consolidar a Federação Nacional da França. O prestígio desta Federação foi tão grande, que logo seu trabalho foi imitado por diversos outros países, como Alemanha, Espanha e Itália. A conseqüência é que pouco depois surgiu a Federação Internacional dos Meninos Cantores, que hoje tem sede em Roma.
Assim, cada país procura ajuntar seus coros de meninos cantores numa Federação Nacional. As federações nacionais são filiadas à Federação Internacional. O atual presidente é o catalão Josep Maria Torrents.
Um dos meios de fortalecer as federações é a realização periódica de congressos. No Brasil são realizados a cada 3 anos, geralmente no mês de julho, o período das férias escolares. Os congressos internacionais são realizados a cada 2 anos, iniciando no dia 26 de dezembro e terminando no dia 1º de janeiro, Dia Mundial da Paz.
No mundo todos os coros pertencentes à Federação Internacional ultrapassam o número dos 1000. No Brasil temos 18 coros inscritos na Federação Nacional.
Coros hoje
Tem sentido manter coros cantando na liturgia das igrejas, após a reforma do Concílio Vaticano II? Não seria melhor eliminar os coros, como foi feito em muitas paróquias, e promover unicamente a participação do povo? Para responder a essa questão, como filhos da Igreja, precisamos consultar o que ela diz a esse respeito. De antemão podemos afirmar que, apesar de todas as crises que boa parte dos coros sofreu com as mudanças trazidas pelo Concílio Vaticano II, ainda há milhares os coros, de meninos ou de adultos, que no mundo inteiro estão a serviço da igreja.
E o que diz o Concílio? A constituição SACROSANCTUM CONCILIUM, sobre a Sagrada Liturgia, dedica todo o Capítulo VI à Música Sacra.. Ao nº 114 diz o seguinte: "O tesouro da Música Sacra seja conservado e favorecido com suma diligência. Sejam assiduamente incentivadas as "Scholae Cantorum", principalmente junto às igrejas catedrais." Assim, deve-se preservar o tesouro da Música Sacra, mas ao mesmo tempo incentivar a participação ativa dos fiéis. Por isso o documento diz logo a seguir: Os bispos e os demais pastores de almas cuidem com diligência que, em todas as funções sacras, realizadas com canto, toda a comunidade dos fiéis possa oferecer a participação que lhe é própria..."
E ao nº 115 são mencionados os meninos cantores: " Aos compositores, aos cantores e principalmente aos meninos cantores seja dada uma genuína formação litúrgica."
E a respeito do Canto Gregoriano, o documento diz o seguinte: "A Igreja reconhece o canto Gregoriano como próprio da liturgia romana.
Portanto, em igualdade de condições, ocupa o primeiro lugar nas ações litúrgicas." (nº 116).
E o que o documento diz da polifonia, ou seja, do canto a mais vozes?
"Os outros gêneros de música sacra, especialmente a polifonia, não são absolutamente excluídos da celebração dos oficios divinos, contanto que se harmonizem com o espírito da celebração litúrgica ..." (ibidem).
O canto religioso popular – Apesar de incentivar o uso do canto gregoriano e da polifonia, a Igreja deseja que o povo cante. Por isso o documento diz ao nº 118: "O canto popular religioso seja inteligentemente incentivado, de modo que os fiéis possam cantar nos pios e sagrados exercícios e nas próprias ações litúrgicas, de acordo com as normas e prescrições das rubricas."
Conclusão: Como conciliar coro e canto religioso popular?
Nas celebrações mais festivas, é desejável que haja a participação de um coro, pois a celebração será mais apreciada. Quando o coro canta numa igreja, deve haver o cuidado de que não cante sozinho o tempo todo, porque isto seria dar um "espetáculo". A liturgia seja organizada de tal forma, que haja lugar para o canto coral e para o canto do povo. Quanto ao canto do povo, o coro deve acompanhá-lo para reforçar e incentivar a assembléia. E o motivo é que o coro não é mundo à parte, mas uma parcela do povo selecionada para uma função específica que o povo comum é incapaz de realizar. Nas partes cantadas pelo coro, a assembléia delega o coro para que cante em seu lugar as partes de música mais artísticas e melhor elaborada, enquanto seu espírito se eleva a Deus em oração interior.
"Cantai ao Senhor um cântico novo, seu louvor ressoe na assembléia dos santos".
Bibliografia
Constituição SACROSANTUM CONCILIUM – Compêndio do Vaticano II – Editora Vozes, 1967, pg. 298-300.
Canto e Música no Culto Cristão – Joseph Gelineaus, S. J. – Editora Vozes, 1968.
História Universal da Música – Kurt Pahlen – Edições Melhoramentos, 1965.
Uma Nova História da Música – Otto Maria Carpeaux – Livraria José Olímpio Editora, 1967.
Música e Experiência de Deus – Revista Concilium/222 – 1989/2: LITURGIA – Editora Vozes, 1989. |